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Parque Municipal do Rio Bixiga
Sao Paulo, Brazil





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O novo Parque do Bixiga será um manifesto que se opõe ao esvaziamento simbólico das paisagens contemporâneas. Uma alternativa aos espaços verdes tradicionais com a criação de percursos meândricos didáticos ao longo do córrego de mesmo nome, desacelerando o visitante e funcionando como “contra-dispositivo” nesta era da acumulação acelerada.
A proposta organiza o terreno em dois, o parque alto, acima da cota 754 e o parque baixo, abaixo da cota 754. No setor alto estão dispostos os programas sociais e esportivos, onde concentram-se grande parcela das edificações e suas projeções não-permeáveis. Já no setor baixo, localiza-se o programa agroflorestal didático contemplativo, significativamente permeável e caracterizado por um extenso trabalho de renaturalização e plantio de um bosque urbano que mescla espécies endêmicas pioneiras e pré-existências nativas, favorecendo a formação de um novo corredor ecológico.
Uma passarela-deck serpenteia junto aos novos meandros do rio e seus jardins de chuva alagáveis na subida de nível das águas. Sua estrutura leve em madeira garante um percurso suavemente inclinado que atravessa todo o parque, elevando-se do solo de 15 cm a 60 cm e não necessitando de guarda-corpo (ABNT NBR 9050-2020) em grande parte dos percursos, utilizando-se apenas de guias de balizamento de 5 cm fixados nos limites da largura das passarelas e garantido segurança e acessibilidade, bem como vistas e acessos livres ao longo de todo o percurso para que visitantes possam adentrar o bosque ou suas clareiras e retornar ao percurso quando quiserem.
A tectônica escolhida, em madeira, sinaliza uma reduzida pegada de carbono ao mesmo tempo que fala sobre memória e futuro, visto que o material escolhido permite-se marcar com o tempo e registrar em si próprio, as marcas da passagem de seus visitantes. Ambos os setores do parque se conectam através do bloco administrativo, posicionado de forma a vencer o desnível com acessibilidade universal e provendo espaços multiuso cobertos. Junto às bordas do terreno, bolsões de liberdade (praças) expandem a calçada de forma a garantir uso diuturno e banheiros 24h complementam seu caráter social.
Propõe-se uma arquitetura que não compete com a natureza, mas colabora com ela, revelando sua potência e convidando o visitante a contemplá-la. Simultaneamente, flora e fauna ocupam as margens alagáveis do recém aberto córrego do Bixiga, tornando-se parte deste ecossistema de bolso e auxiliando na sua reconfiguração bio-florestal.
Enfim, o rio retoma sua posição original, meândrica e preguiçosa, permitindo demorar-se enquanto atravessa diversas piscinas de filtragem natural, tornando suas águas progressivamente mais limpas enquanto cascateia sob as passarelas. Como a música e o teatro, a arquitetura aqui se manifesta como uma arte temporal, permitindo o “vaguear livre”, não apenas conduzindo os visitantes, mas seduzindo-os e ziguezagueando bosque adentro.
First Prize - Concurso Parque do Rio Bixiga, National Competition
Area: 11.067 m²
Status: Idea
Location: Sao Paulo, Sao Paulo, Brazil
Design Team: Andre Zanolla, Antonio Roberto Zanolla, Bianca de Lira Silva,
Alexandre Prado de Mello Silva, Gabriel Melo Zambroni
Consultants: Vinícius Fröner Lacerda (Environmental Engineer & Hydrologist)
Fábio Cunha Lofrano (Civil Engineer & Hydrologist)
Client: SMVA - Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente
© 2026 by Democratic Architects
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